19.6.19

Um retorno dolorido

          Retorno pelo mesmo caminho, carregando os mesmos objetos, mas dessa vez sem a felicidade que eu tive ao partir.
         Penso em tudo que adquiri no meio do caminho, em toda a liberdade que eu pude ganhar, em todas obrigações que eu tive que assumir, isso dói em meu peito, sei que sentirei falta.
         Sentirei falta de poder deixar minhas roupas jogadas, de poder acordar poucos minutos antes de minha aula começar, de chegar da escola, cansada, e com a roupa suja mesmo já me deitar.
         Sinto-me numa regressão intensa, voltar ao ponto de partida, por causa das dificuldades da vida.
        Tentei ser forte, não me abalar com as coisas que diziam, ser passiva e paciente. Porém, a toxicidade daquele lar eu não fui capaz de aguentar, as palavras rudes, os comentários maldosos, constantes grosserias, uma completa falsidade e recorrentes casos de injustiça. 
        Até onde devemos permanecer em relacionamentos abusivos?  Não, não falo no sentido de relacionamentos amorosos, mas sim em relações humanas, abusivas, tóxicas.
         Sentia-me como uma muda, não importava o quanto eu tentava falar, me pronunciar, nunca me escutavam. Em todas as brigas me ridicularizavam, pela minha pouca idade, me julgavam, nunca eu tive voz ali.
         Retorno para o lar de minha mãe, mesmo que venha a ter que enfrentar problemas aqui, sinto que aqui eu poderei falar e sei que serei ouvida.
       Ser muda, mesmo podendo falar, isso eu nunca mais irei aceitar.
       Minha mãe mandou que eu não considerasse aquela casa o meu lar, mas eu, boba, iludida pelos filmes hollywoodianos acreditei estar entrando com "minhas amigas", as quais não se passavam de duas pessoas estranhas que não conseguiam conviver com meu sucesso e sempre me colocavam em posições inferiores, na maior aventura da minha vida, pobre boba, iludida.
       Não me chame de infantil, por depois de todos os problemas, que enfrentei, e da decisão tomada eu não ter tentado conversar, eu só não tinha mais nada para falar. Agora, quando elas fingiram querer me ouvir para poder me culpar e tentar fazer com que esse sentimento de inferioridade que elas me impuseram me fizesse mudar de opinião, já não era mais a hora, palavras já não mais resolveriam.
      Solto-me dessas amarras, mesmo prendendo-me a outras, espero estar agora mais livre de toda toxicidade que por inúmeras noites me fizeram chorar.












                                                                    Façanha, Baby (Um retorno dolorido)

2 comentários:

  1. Mto bom, perfeito ❤
    Entendo bem como é isso, lidar com certas pessoas é bem difícil, a gnete tenta agradar algumas e elas nos recebem com pedras, eu me sinto assim com uma certa pessoa que eu jugava ser legal mas que no fundo é uma falsa

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