2.9.19

Uma blusa suja, numa segunda-feira qualquer

      Tudo começou normal, como um dia qualquer, mas minha blusa sujou.
      Como todos os dias, pela manhã, a coragem não me vinha e preferi assumi as marcas naturais que a vivência deixa, cada vez mais, notória, em meu rosto, sem tentar, sequer, mascará-las, mas minha blusa sujou.
      Levantei cedo, apesar de toda a preguiça que tentava me possuir, levantei, mas era melhor ter continuado deitada, pois minha blusa sujou.
     Peguei um ônibus, como em todas as manhãs, extremamente lotado, mas não estava triste, estava com pessoas que me fazem bem, pena que eu não sabia que minha blusa iria sujar.
     Conversei, ri, começou a chover, situação atípica para quem mora por aqui, eu até que gosto da chuva, mas que pena que minha blusa sujou.
     Eu não sei se foram os hormônios que decidiram me possuir e assumir o controle do meu corpo, mas eu só consegui ter vontade de chorar, mas por qual motivo, será que realmente era pela blusa que tinha sujado, ou por todo esse peso que insisto em carregar?
     Desde esse episódio eu perdi o controle do meu dia. Minha mãe teria me dito para olhar o lado bom, parar de tanto pessimismo. Perdoe-me mãe, eu não escolhi ser tão melancólica assim, por diversas vezes eu preferia nem ser. Gostaria de entender, como uma única criatura consegue acumular tantos defeitos e tão poucas qualidades, mas assim como todas as coisas que eu quero, não consigo quase nada alcançar, não consigo sequer deixar minha blusa limpa. Escrevo para tentar fazer esvair toda essa tristeza que me atinge, durmo para tentar fugir da minha triste realidade de não ser suficiente em coisa alguma, mas, mais uma vez, falho.
       Será que eu devo me acostumar com a falha, já que tudo que eu gosto de ter por perto, eu, por meus erros, perco. Será que algum dia serei capaz de descobrir o motivo de tantas falhas? Você pode não entender o que eu escrevo, mas, tenha certeza, com a confusão que está minha mente, isso até que está um pouco organizado.
       Deveria estar acostumada, acomodar-me com essa situação, evitaria a fadiga. Deveria aceitar que nem todas as pessoas nasceram para ter amigos, eu tenho certeza que me enquadro nesse grupo, devo ser um lobo, até tento me enquadrar e viver em sociedade, mas a solidão me é bem melhor. Será que falho tanto, por nunca deixar de tentar? Hoje, quando minha blusa sujou, descobrir que não sou forte, sou fraca, e acho que está me faltando força para continuar.
       Peço perdão por todas as pessoas que meus erros acabam magoando, espero que quando eu parar de tentar, não venha mais a falhar.
       Peço perdão a todas as pessoas que eu magoei hoje, sei que não é justificativa, mas minha blusa sujou.
      Ao invés de ter raiva dos meus erros, dê-me um abraço por favor, minha blusa está suja.
  
                                         Façanha, Baby (Uma blusa suja, numa segunda-feira qualquer)

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