20.6.19

Uma lição que um cadeirante me deu

          Era um uma tarde, como outra qualquer, estava na praia com minha família, estava muito ansiosa para festa que eu iria mais tarde, no carro tinha brigado com minha mãe porque eu tinha falado com ela, e não tinha sido respondida, estava de cara feia, torcendo para ir o mais rápido possível para casa, até que observo vários homens carregando outro na cadeira de rodas, não tinha a menor acessibilidade para aquele homem chegar próximo ao mar, fico indignada, que infraestrutura horrível a dessa cidade, ele teve que ser carregado, tinha vários motivos para estar com raiva, mas sorria.
        Comecei a  observá-lo e notei que não estava sozinho, estava acompanhado da sua esposa, do seu filho e de um rapaz, não consegui identificar se era seu amigo ou seu cuidador, logo começou a tirar a roupa, com dificuldade, mas conseguiu, novamente ele precisou da ajuda de outras pessoas para ser levado até o mar. Quando ele entrou na água já não precisava mais da ajuda de ninguém, se deslocava com excelência, ele nadou muito, logo o perdi de vista.
        Ele não tinha força alguma nas pernas, enfrentou diversos obstáculos para, simplesmente, conseguir ter acesso ao mar, nada disso lhe tirou o sorriso, enquanto eu, tenho minhas duas pernas funcionais, mas por besteiras, pensando no futuro e com raiva do passado, perdi meu presente, um tempo que poderia ter usado para me divertir, ficando com raiva a toa. 









                                                                             Façanha, Baby (Uma lição que um cadeirante me deu)
                                                                   

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Uma blusa suja, numa segunda-feira qualquer

      Tudo começou normal, como um dia qualquer, mas minha blusa sujou.       Como todos os dias, pela manhã, a coragem não me vinha e pre...