13.6.19

Uma crônica sobre uma manhã qualquer

        Eu mais uma vez estou aqui, lutando contra meu despertador, não tenho a menor vontade de me levantar, sair do conforto quentinho que minha cama me proporciona. Cada manhã essa batalha está tornando-se mais difícil para mim.
       Estou no cursinho pré-vestibular, todos os dias, ao acordar, sou constantemente lembrada que minha mãe se esforça muito para que eu esteja lá, e, por isso sempre dizem que eu devo me esforçar mais, dar o meu máximo, mas o que é o meu máximo?
        A sociedade costuma pregar que nós devemos parar de dormir, de nos divertir, de interagir  com as pessoas visando atingir, no futuro, nossos objetivos, mas e se o futuro não chegar para mim? Devo, realmente, deixar de viver meu presente pensando, unicamente, na posterioridade?
      Ela prega que se deve viver um excesso de positividade, isso esta bem exposto em manuais de autoajuda e nas palestras que os "coachings'' costuma ministrar. Eles dizem que, absolutamente, qualquer pessoa pode alcançar um objetivo na vida pessoal ou profissional, e, se você  não alcanço se objetivo, é porque você não se esforçou. 
      Isso faz com que nos sintamos insuficientes, e, assim, acabemos nos tornando nossos maiores inimigos. Passamos a nos esforçar cada vez mais para suprir tal pressão externa, passamos dos nossos próprios limites para atingir metas, que pregam como básicas, mas que são quase inalcançáveis e não são saudáveis. Nos fazem acreditar que nós precisamos ser multitarefa, e isso é altamente prejudicial a nós seres humanos. Tentamos dar durante o dia, o maior desempenho possível e chegamos à noite sobrecarregados e estressados.
      Esse contexto, ridículo que somos obrigados a viver, fomenta o aparecimento de doenças como a ansiedade, depressão déficit de atenção, hiperatividade, a formação de uma sociedade doente. Tem-se, também, a estafa, doença que atinge inúmeras pessoas na sociedade contemporânea, mas que cujas divulgações são escassas. É uma síndrome relacionada a um desânimo sem explicação aparente, dores no corpo, falta de motivação para continuar as atividades, tal como me encontro nesse exato momento, mas, mesmo sabendo os motivos que me deixam nessa situação, não tenho mais forças para lutar. 












                                                                     Façanha, Baby  ( Uma crônica  sobre uma manhã qualquer)










                                                

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